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Secretaria de Saúde de Minas faz coletiva de imprensa sobre casos de intoxicação por dietilenoglicol
Divulgação/Reprodução

Em coletiva de imprensa na Cidade Administrativa, em Belo Horizonte, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais anunciou nesta sexta-feira (17) que, até o momento, foram notificados 18 casos suspeitos de intoxicação por dietilenoglicol em Minas Gerais, sendo quatro deles confirmados e os restantes em investigação.  A pasta apresentou as medidas tomadas.

Está definido como caso suspeito toda pessoa residente ou visitante de Minas Gerais que ingeriu cerveja da marca “Backer”, a partir de outubro de 2019 e iniciou, em até 72 horas, sintomas gastrointestinais, como náuseas, vômitos, dor abdominal, associados a pelo menos um dos seguintes quadros: alterações da função renal, sinais e sintomas neurológicos, como paralisia facial, borramento visual, amaurose (perda de visão parcial ou total), alterações sensoriais, paralisia descendente e crise convulsiva. Saiba mais neste link.

Desde a primeira notificação, a SES-MG investiga os casos suspeitos, além de fazer busca sanitária domiciliar e em estabelecimentos comerciais para coletar materiais para análise. Uma força-tarefa estadual também foi montada, com apoio de equipe do Ministério da Saúde e do Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina da USP. O superintendente de Vigilância Sanitária, Filipe Laguardia, destacou que a pasta preparou uma nota técnica para orientar todos os funcionários da Saúde sobre a intoxicação e o tratamento.


(Foto: Marcus Ferreira)

Linha do tempo

A coletiva de imprensa contou com a participação de representantes da Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte, da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) e da Fundação Ezequiel Dias (Funed). Laguardia traçou uma linha do tempo dos primeiros casos.

“O Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde do Estado de Minas Gerais (Cievs-BH), que funciona 24 horas por dia recebendo notificações de agravos, recebeu em 30 de dezembro a primeira notificação de caso de insuficiência renal aguda e alterações neurológicas de etiologia até então a esclarecer. Posteriormente, com o registro de novos casos, a Vigilância Sanitária e a Vigilância Epidemiológica foram a campo investigar, fazendo coleta de alimentos e avaliando possibilidades de doenças infecciosas ou alguma intoxicação exógena”, explicou.

De acordo com a diretora do Hospital Eduardo de Meneses, da Rede Fhemig, Virgínia Andrade, “a partir do momento que se tomou conhecimento dos casos com sintomatologia semelhante, a Unidade de Resposta rápida da instituição foi acionada e um grupo de médicos iniciou a investigação quanto aos sintomas mais comuns apresentados pelos pacientes”, afirma.

Em 9 de janeiro, a presença de dietilenoglicol nas amostras coletadas fortaleceu a suspeita de intoxicação por essa substância, o que resultou na elaboração da nota técnica.

Casos suspeitos

Dos 18 casos suspeitos de intoxicação por dietilenoglicol, sendo 16 em homens e dois em mulheres, quatro evoluíram para óbito. Em uma dessas mortes foi confirmada a presença da substância no sangue. As demais ainda estão sob investigação.

A diretora de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte, Lúcia Paixão, alerta que os sintomas gastrointestinais se manifestam precocemente, em média até 72 horas após a ingestão “Em Belo Horizonte, a porta de entrada desses casos são as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) ou, em caso de sintomas mais leves, as Unidades Básicas de Saúde (UBS). O fluxo de atendimento de possíveis casos será determinado a partir da orientação do Cievs BH em articulação com a Toxicologia do Hospital João XXIII”, explicou Lúcia Paixão.

Descarte de bebidas

Lúcia Paixão reforçou também que as bebidas não devem ser descartadas diretamente no lixo, nem jogadas no esgoto, uma vez que o descarte inapropriado das cervejas expõe outras pessoas a um risco de intoxicação. As pessoas que tiverem cervejas da marca Backer, independentemente do rótulo ou do lote, devem entregar essas bebidas à Vigilância Sanitária do Município, em um dos nove pontos determinados. Já em relação aos estabelecimentos comerciais, a orientação é que articulem com a indústria cervejeira para definir como será realizado o descarte.

Tecnologia

O secretário-adjunto da SES-MG, Marcelo Tavares, afirmou que a Funed deve realizar, em breve, investigações para apurar a presença de dietilenoglicol. “Já foi feito contato com a Polícia Civil para que seja feita a transferência da tecnologia necessária para investigar a presença da substância. Isso tornará mais ágil o processo de investigação”, afirmou.

Saiba mais sobre intoxicação exógena por dietilenoglicol em www.saude.mg.gov.br/intoxicacaodeg.

Por Agência Minas Gerais

 

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